Queda de cabelo na menopausa: causas e tratamentos

A queda de cabelo na menopausa pode ocorrer devido às alterações hormonais do climatério, especialmente à redução dos níveis de estrogênio e progesterona. Essas mudanças afetam o ciclo de crescimento dos fios e podem favorecer afinamento, redução de volume e maior percepção da queda.
Entretanto, a alteração hormonal não é a única causa possível. Deficiências nutricionais, disfunções da tireoide, estresse, uso de medicamentos e predisposição genética também podem contribuir para o quadro, o que torna necessária uma avaliação clínica antes de iniciar qualquer tratamento.
A Dra. Astrid Boller, Ginecologista com atuação em saúde hormonal em Belo Horizonte, explica como identificar os diferentes padrões de queda, quais exames podem auxiliar na investigação e quais tratamentos podem ser considerados conforme a causa diagnosticada.
Por que os cabelos caem durante a menopausa?
A redução dos níveis de estrogênio durante o climatério pode alterar o ciclo capilar. A fase de crescimento dos fios tende a ficar mais curta, enquanto uma quantidade maior de cabelos pode entrar nas fases de repouso e queda, favorecendo a perda de densidade.
Além disso, a diminuição do estrogênio pode aumentar a influência relativa dos androgênios sobre os folículos em mulheres predispostas. Como consequência, os fios podem crescer progressivamente mais finos, principalmente na região central e superior do couro cabeludo.
Esse processo ajuda a explicar parte da queda de cabelo na menopausa, mas não determina sozinho a intensidade do quadro. Predisposição genética, alterações da tireoide, deficiência de ferro, alimentação inadequada, estresse e uso de medicamentos também podem contribuir.
Dessa forma, a investigação deve considerar o padrão da queda, o momento em que ela começou e a presença de outros sintomas. Identificar os fatores envolvidos permite definir uma abordagem compatível com a causa e evitar tratamentos iniciados sem diagnóstico.
Tipos de queda de cabelo na menopausa e como diferenciá-los
A queda de cabelo na menopausa pode apresentar padrões distintos, que exigem formas específicas de investigação e tratamento. A avaliação considera a distribuição da queda, a velocidade de progressão, o aspecto dos fios, o histórico clínico e possíveis fatores associados.
Eflúvio telógeno
O eflúvio telógeno provoca aumento da queda em diferentes regiões do couro cabeludo, geralmente sem formar áreas completamente calvas. Pode surgir após alterações hormonais, períodos de estresse, doenças, cirurgias, restrições alimentares ou mudanças no uso de medicamentos.
Em parte das pacientes, esse quadro pode corresponder a uma queda de cabelo difusa hormonal associada ao climatério. Quando o fator desencadeante é identificado e corrigido, o ciclo capilar tende a se reorganizar gradualmente, embora a recuperação possa levar alguns meses.
Alopecia androgenética feminina
A alopecia androgenética feminina é uma condição progressiva caracterizada pelo afinamento dos fios, principalmente na região central e superior do couro cabeludo. O alargamento da risca e a redução do volume costumam ocorrer sem perda completa dos cabelos na linha frontal.
Esse padrão está relacionado à predisposição genética e à sensibilidade dos folículos à ação dos androgênios. A expressão calvície feminina difusa pode ser utilizada para descrever a rarefação, mas o diagnóstico depende da avaliação do couro cabeludo e da exclusão de outras causas.
Diferentemente do eflúvio telógeno, a alopecia androgenética pode exigir tratamento contínuo para retardar a progressão e preservar a densidade capilar. Por isso, a identificação precoce favorece a escolha de uma conduta compatível com o estágio da condição.
Alterações da tireoide
O hipotireoidismo também pode causar queda difusa, ressecamento dos fios e alterações na textura do cabelo. Sintomas como cansaço, intolerância ao frio, constipação, pele seca e ganho de peso podem reforçar a necessidade de investigar a função da tireoide.
A solicitação de exames depende da avaliação clínica e do histórico da paciente. Quando existe uma disfunção tireoidiana associada, o tratamento da alteração hormonal pode contribuir para a recuperação do ciclo capilar e para a melhora de outros sintomas.
Deficiências nutricionais
Deficiências de ferro, proteínas, vitamina B12, vitamina D ou zinco podem estar associadas à queda capilar em determinados casos. A ferritina auxilia na avaliação dos estoques de ferro, mas seus resultados devem ser interpretados em conjunto com o hemograma e o quadro clínico.
Dietas muito restritivas, perda rápida de peso e ingestão insuficiente de proteínas podem comprometer o crescimento dos fios. Por isso, a suplementação não deve ser iniciada de forma indiscriminada, mas indicada quando a avaliação clínica ou laboratorial identifica uma deficiência.
Como fazer o diagnóstico correto?
A investigação começa pela análise de quando a queda teve início, como os fios estão distribuídos no couro cabeludo, quais medicamentos são utilizados e se houve mudanças recentes na alimentação, no peso ou na saúde. O histórico familiar também ajuda a identificar predisposição genética.
O exame do couro cabeludo pode ser complementado pela tricoscopia, técnica que amplia a visualização dos fios e dos folículos. Em situações específicas, o tricograma pode ser solicitado para avaliar a proporção de cabelos nas diferentes fases do ciclo capilar.
Os exames laboratoriais são definidos conforme os sintomas e as hipóteses clínicas. Hemograma, ferritina e avaliação da função da tireoide estão entre as possibilidades, enquanto vitamina D, vitamina B12, zinco e hormônios androgênicos são investigados quando há indicação.
Na queda de cabelo na menopausa, o diagnóstico da queda de cabelo permite diferenciar alterações hormonais, nutricionais, tireoidianas e genéticas. Essa avaliação reduz o risco de tratamentos inadequados e orienta uma conduta compatível com a causa identificada.

Quais tratamentos podem ser indicados?
O tratamento da queda de cabelo na menopausa depende do padrão identificado, da intensidade do quadro e dos fatores associados. Em alguns casos, a conduta combina correção de deficiências, medicamentos tópicos ou orais e recursos complementares, sempre conforme avaliação individual.
Controle dos fatores associados ao eflúvio telógeno
No eflúvio telógeno, o tratamento é direcionado ao fator desencadeante. Alterações nutricionais, privação de sono, doenças recentes, perda rápida de peso, uso de medicamentos e mudanças hormonais devem ser investigadas e corrigidas quando estiverem relacionadas ao aumento da queda.
A suplementação é indicada quando exames e avaliação clínica confirmam alguma deficiência. A biotina, por exemplo, não costuma melhorar a queda quando seus níveis estão adequados, enquanto o uso indiscriminado pode interferir nos resultados de determinados exames laboratoriais.
O minoxidil tópico pode ser considerado em quadros persistentes ou associados a outro padrão de afinamento capilar. Entretanto, sua indicação não é obrigatória em todos os casos de eflúvio, pois parte das pacientes apresenta recuperação gradual após o controle do fator desencadeante.
Controle da progressão da alopecia androgenética
Na alopecia androgenética feminina, o objetivo é reduzir a progressão do afinamento e preservar a densidade dos fios. O minoxidil para mulheres é uma das principais opções terapêuticas e precisa ser utilizado pelo período indicado, já que a interrupção pode levar à perda dos resultados obtidos.
Medicamentos com ação antiandrogênica, como a espironolactona, podem ser considerados em casos selecionados. A prescrição exige avaliação de contraindicações, acompanhamento clínico e, quando necessário, controle da função renal e dos níveis de potássio.
A resposta ao tratamento costuma ser gradual e pode levar alguns meses para se tornar perceptível. Na queda de cabelo na menopausa, o reconhecimento precoce desse padrão favorece a preservação dos folículos antes que a miniaturização se torne mais avançada.
Recursos complementares para estimular os fios
Laser de baixa intensidade, microagulhamento e plasma rico em plaquetas podem ser utilizados como recursos complementares em situações específicas. A resposta varia entre as pacientes, e esses procedimentos não substituem o tratamento direcionado à causa principal da queda.
Xampus e loções auxiliam no controle de alterações do couro cabeludo, como oleosidade, descamação ou inflamação. Já suplementos orais devem ser reservados às deficiências comprovadas, pois seu uso sem indicação não garante aumento do crescimento ou da densidade capilar.
Reposição hormonal e saúde capilar
A reposição hormonal não deve ser prescrita exclusivamente para tratar queda de cabelo. Sua indicação considera sintomas do climatério, histórico clínico, riscos individuais e benefícios esperados, enquanto possíveis efeitos sobre os fios variam conforme o organismo e o padrão de queda.
Em algumas pacientes, o tratamento hormonal pode contribuir para mudanças na textura, no ressecamento ou na percepção de queda. Contudo, ele não substitui terapias específicas para eflúvio telógeno ou calvície feminina difusa quando essas condições são diagnosticadas.
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A testosterona também exige cautela. Embora esse hormônio exerça funções importantes no organismo feminino, níveis elevados ou maior sensibilidade dos folículos aos androgênios podem intensificar o afinamento em mulheres predispostas à alopecia androgenética.
Quando a queda de cabelo indica outras condições?
A queda de cabelo na menopausa pode coexistir com alterações que exigem investigação específica. Perda de pelos das sobrancelhas ou do corpo, falhas em placas e início muito abrupto fogem do padrão habitual relacionado ao climatério.
Sintomas como cansaço intenso, ganho de peso, ressecamento da pele ou mudanças importantes no couro cabeludo também podem indicar causas tireoidianas, autoimunes, nutricionais ou inflamatórias.
Diante desses sinais, a avaliação médica deve preceder qualquer tratamento. Identificar a origem da queda evita condutas inadequadas e reduz o risco de atrasar o diagnóstico correto.
Tratamento da queda de cabelo na menopausa com a Dra. Astrid Boller
A Dra. Astrid Boller é Ginecologista (CRM-MG 23189 I RQE 10716) com atuação em saúde hormonal feminina, climatério e menopausa, em Belo Horizonte. Diante da queixa de queda, a proposta é investigar antes de tratar.
Isso significa unir a avaliação hormonal à investigação capilar, com a solicitação dos exames certos e a leitura do conjunto. A queda de cabelo na menopausa raramente tem uma causa única, e o olhar integrado é o que permite acertar a conduta.
O objetivo não é uma promessa genérica, e sim um plano baseado no seu diagnóstico, que respeite o tempo de resposta do cabelo e a sua história de saúde.
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A avaliação integrada permite investigar alterações hormonais, nutricionais, tireoidianas e genéticas, além de definir uma conduta compatível com o padrão, a intensidade e a evolução da queda capilar.
Converse com a Dra. Astrid Boller para compreender as possíveis causas da queda e receber uma orientação individualizada.
As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.
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Conteúdo atualizado em 2026.
FAQ – Dúvidas frequentes sobre Queda de cabelo na menopausa: causas e tratamentos
1. Queda de cabelo na menopausa tem cura?
Depende do tipo. O eflúvio telógeno costuma ser reversível quando se corrige a causa. A alopecia androgenética não regride sozinha, mas tem controle eficaz com tratamento contínuo e acompanhamento.
2. Quantos fios caem por dia é normal?
Perder em torno de cem fios por dia é considerado normal. O que preocupa é o aumento perceptível da queda, o afinamento dos fios ou a rarefação visível em uma região do couro cabeludo.
3. A reposição hormonal melhora a queda de cabelo?
Pode ajudar, mas não é um tratamento de alopecia em si. O estrogênio prolonga a fase de crescimento do fio e, em pacientes bem selecionadas, costuma reduzir a queda e melhorar a textura.
4. O minoxidil funciona para queda de cabelo em mulheres?
Sim, é um tratamento de primeira linha para a alopecia androgenética feminina. Exige uso contínuo, e os resultados aparecem ao longo de meses. Interromper o uso tende a reverter o ganho obtido.
5. A queda de cabelo na menopausa pode ser definitiva?
A alopecia androgenética é progressiva e não regride sozinha, mas pode ser controlada. Já o eflúvio telógeno costuma ser reversível. Por isso o diagnóstico correto faz toda a diferença no resultado.
6. A biotina resolve a queda de cabelo hormonal?
Só ajuda quando há deficiência confirmada de biotina, o que é incomum. Não há evidência que justifique tomá-la de forma preventiva. Suplementar sem necessidade não melhora a queda hormonal.
7. Quanto tempo leva o tratamento para queda de cabelo hormonal?
O cabelo responde devagar. Costuma levar de três a seis meses para se notar melhora, porque o ciclo capilar é lento. A constância no tratamento é mais importante do que a pressa.
8. Quais exames pedir para investigar queda de cabelo hormonal feminino?
Em geral, ferritina, hemograma, função da tireoide, testosterona, DHEA-S, vitamina D, B12 e zinco. A escolha é individual e definida na consulta, conforme a história e o exame do couro cabeludo.
9. A queda de cabelo na menopausa é reversível?
Em parte, depende do tipo. O eflúvio telógeno tende a ser reversível com o tratamento da causa. A alopecia androgenética não se reverte sozinha, mas responde bem ao controle contínuo.
10. Qual a diferença entre eflúvio telógeno e alopecia androgenética feminina?
O eflúvio telógeno é uma queda difusa e geralmente reversível, ligada a um gatilho. A alopecia androgenética é progressiva, com afinamento e rarefação no topo, e precisa de tratamento contínuo.