Saúde Hormonal

Testosterona feminina: o que é, quando repor, para que serve

Testosterona feminina: o que é, quando repor, para que serve

A testosterona feminina existe, e essa afirmação ainda surpreende muita gente. Por décadas, o hormônio foi associado apenas ao corpo masculino, mas a mulher também a produz, nos ovários e nas glândulas suprarrenais.

Ela integra a saúde hormonal feminina e tem papel no desejo, na energia, no músculo e na cognição. Com a menopausa, sua produção cai, e os efeitos são sentidos mesmo quando a mulher não sabe a causa.

A Dra. Astrid Boller, ginecologista com atuação em saúde hormonal em Belo Horizonte, explica o que a testosterona faz no corpo feminino, como reconhecer a deficiência e o que esperar da reposição. Entender o tema é o que afasta o medo e a desinformação.

O que a testosterona faz no corpo feminino?

A testosterona é um dos principais hormônios androgênicos produzidos pela mulher. Ele está presente em quantidade menor que no homem, mas com funções importantes conforme descrito pelo National Institutes of Health (NIH)

Conhecer esses papéis ajuda a entender por que a queda incomoda tanto, já que a testosterona feminina atua em várias frentes ao mesmo tempo.

Desejo sexual e responsividade

A testosterona é o principal hormônio ligado ao desejo, em ambos os sexos. Quando cai, é comum haver redução da libido, menor responsividade ao toque e mais dificuldade de chegar ao orgasmo. 

É o efeito mais reconhecido pela prática clínica e na literatura médica. Por isso, essa queixa costuma ser a porta de entrada para investigar a testosterona feminina.

VIDEO: https://www.instagram.com/p/DaOW81jBZFu/ 

Energia e disposição

A deficiência provoca uma fadiga diferente do cansaço comum. A mulher acorda sem disposição, com a sensação de “pilha baixa”, e muitas vezes esse quadro é confundido com depressão.

Essa relação entre hormônios e energia feminina é direta. Reconhecê-la evita tratamentos equivocados, pois nem toda falta de ânimo é emocional.

Massa muscular e metabolismo

Como hormônio anabólico, a testosterona ajuda a preservar e reconstruir músculo. Sua queda acelera a perda de massa magra (sarcopenia), o que reduz o gasto de energia em repouso.

Essa é uma das conexões com a dificuldade de emagrecer na menopausa. Menos músculo significa um metabolismo mais lento, e a testosterona feminina entra justamente nessa equação.

Cognição e foco

A testosterona tem receptores no cérebro, e sua queda é associada à névoa mental – conhecida também como brain fog – à dificuldade de concentração e aos pequenos lapsos de memória. É um quadro distinto do declínio da demência e, em geral, tratável.

Reconhecer essa relação ajuda a mulher a não se assustar com sintomas que têm explicação hormonal. O foco tende a melhorar quando o equilíbrio é restaurado.

Saúde óssea

Em sinergia com o estrogênio, a testosterona contribui para a formação de osso novo. Sua deficiência soma-se aos demais fatores que favorecem o quadro de osteoporose ao longo dos anos.

Por isso, a avaliação hormonal completa considera também esse aspecto. O osso responde ao conjunto dos hormônios, não a um isolado.

Como a testosterona cai na mulher?

Diferente do estrogênio, a testosterona feminina não tem uma queda marcada por uma data. Ela diminui de forma gradual, começando ainda na faixa dos 30 anos, com pico na segunda metade, por volta dos 20 anos e seguindo de maneira contínua.

Além disso, a retirada cirúrgica dos ovários (ooforectomia bilateral) provoca uma queda mais acentuada e abrupta, porque remove de uma só vez parte importante da produção. Já a queda natural é lenta e silenciosa.

Alguns fatores aceleram esse processo. O uso de pílula anticoncepcional, certos medicamentos, o tabagismo e o estresse crônico podem reduzir a fração ativa do hormônio disponível para o corpo.

Quais são os sintomas de testosterona baixa?

Os sintomas de testosterona baixa em mulheres costumam ser pouco específicos, o que dificulta o reconhecimento.

Embora a principal indicação da terapia com testosterona em mulheres na pós-menopausa seja a redução da libido quando não há outra causa identificável, conforme destaca a Mayo Clinic, a deficiência androgênica pode estar associada a outros sinais. Vale observar se vários deles aparecem juntos:

  • Libido bastante reduzida ou ausente.
  • Fadiga persistente sem causa aparente.
  • Dificuldade de ganhar ou manter músculo mesmo com exercício.
  • Névoa mental e dificuldade de concentração.
  • Queda da motivação e do prazer nas atividades do dia a dia.
  • Alteração do humor.

Esses sinais se sobrepõem aos do estrogênio baixo, e é por isso que a avaliação individual é indispensável. O sintoma sugere, mas não fecha o diagnóstico sozinho.

A própria queda de cabelo na menopausa pode ter relação com a testosterona feminina livre baixa, o que reforça a importância de avaliar o conjunto, e não cada sintoma isolado.

Como é feita a avaliação?

Avaliar a testosterona feminina não se resume a um único exame. A testosterona total faz parte da investigação, mas, isoladamente, nem sempre reflete a quantidade de hormônio realmente disponível para agir nos tecidos. 

Por isso, a testosterona livre, calculada a partir da testosterona total e do SHBG,  costuma fornecer uma estimativa mais útil da fração biologicamente ativa.

SHBG e DHEA-S

O SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) é uma proteína que se liga à testosterona e reduz a quantidade de hormônio livre em circulação. 

Quando está elevado, como pode ocorrer com o uso de anticoncepcionais orais ou em algumas alterações hormonais, a mulher pode apresentar sintomas mesmo com a testosterona total dentro da faixa de referência.

A avaliação também pode incluir o DHEA-S, um hormônio produzido principalmente pelas glândulas suprarrenais que serve como precursor da testosterona. Alterações nesse exame ajudam a compreender a origem de uma possível deficiência ou excesso de andrógenos.

Por isso, não existe um valor único que confirme ou descarte a deficiência de testosterona na mulher. O diagnóstico depende da correlação entre os sintomas, o exame clínico e a interpretação conjunta dos exames laboratoriais.

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Quando a reposição de testosterona é indicada?

A reposição é considerada após uma avaliação clínica individualizada, que leva em conta os sintomas, o contexto da paciente e a interpretação dos exames hormonais. A indicação com maior respaldo científico é o tratamento da perda do desejo sexual que causa sofrimento em mulheres na pós-menopausa. 

No Brasil, o uso para mulheres ainda é off-label, ou seja, não há apresentação aprovada pela Anvisa especificamente para esse fim. Ainda assim, é uma prática adotada por especialistas com base em consensos internacionais, como o guideline global sobre testosterona em mulheres.

Vale a ressalva: a reposição da testosterona feminina não é indicada para qualquer mulher nem para melhorar desempenho físico, emagrecimento ou ganho de massa muscular. Quando há indicação, o objetivo é restabelecer concentrações fisiológicas de testosterona, sempre com acompanhamento. 

Formas de reposição de testosterona na mulher

Existem diferentes formas de reposição de testosterona, e a escolha depende da indicação clínica, das preferências da paciente e da avaliação médica. 

Como destaca a Harvard Health, cada via de administração apresenta vantagens e limitações que devem ser consideradas individualmente antes da escolha do tratamento. 

FormaComo funcionaPonto de atenção
Gel ou creme transdérmicoAplicação diária, dose fácil de ajustarAbsorção varia entre pessoas
Implante subcutâneo (pellet)Liberação contínua por alguns mesesDose não é ajustável após a inserção
Gel masculino em dose femininaUso off-label com dose muito reduzidaExige orientação precisa de dosagem

Gel ou creme transdérmico

A testosterona em gel é aplicada diariamente, em dose muito menor que a usada por homens. A vantagem é a facilidade de ajustar a quantidade conforme a resposta, sem deixar depósito no corpo.

A desvantagem é a absorção, que varia de pessoa para pessoa. Por isso, o acompanhamento dos exames orienta os ajustes ao longo do tempo.

Implante subcutâneo

O implante hormonal subcutâneo, conhecido como pellet, é uma pequena cápsula inserida sob a pele que libera o hormônio de forma contínua por alguns meses. Sua vantagem é a adesão, já que não depende da aplicação diária.

O ponto de atenção é que a dose não pode ser ajustada depois de inserida, o que aumenta o risco de excesso. Por isso o implante hormonal subcutâneo exige acompanhamento rigoroso.

Gel masculino em dose feminina

Como ainda não há formulações de testosterona aprovadas pela Anvisa especificamente para mulheres, alguns especialistas utilizam géis masculinos em doses bastante reduzidas, ajustadas às necessidades femininas. 

Trata-se, portanto, de um uso off-label. Ele requer prescrição individualizada, orientação precisa sobre a quantidade aplicada e monitoramento clínico e laboratorial para manter os níveis hormonais dentro da faixa fisiológica.

Efeitos colaterais: o que monitorar?

Em doses adequadas para mulheres, os efeitos colaterais tendem a ser mínimos. Eles costumam aparecer quando a dose é alta demais ou quando a via gera picos hormonais.

Entre os possíveis estão acne, aumento da oleosidade e queda de cabelo. Alterações mais marcantes, como mudança da voz, são raras e ligadas a excesso, o que reforça a importância da dose correta.

O acompanhamento laboratorial periódico é o que mantém a reposição segura. Com os implantes, esse cuidado é ainda mais importante, pela impossibilidade de ajustar a dose no meio do caminho. Bem conduzida, a reposição da testosterona feminina tende a ser segura e previsível.

Testosterona feminina com a Dra. Astrid Boller

A Dra. Astrid Boller (CRM-MG 23189 I RQE 10716) é ginecologista com atuação em saúde hormonal feminina, climatério e menopausa, em Belo Horizonte. A avaliação hormonal completa que ela conduz inclui a testosterona livre, e não apenas os hormônios mais lembrados.

Na prática, isso significa correlacionar os sintomas com o laboratório, considerar o SHBG e discutir as formas de reposição hormonal quando há indicação. A conduta é sempre individual e acompanhada de perto.

O objetivo não é seguir modismos, e sim tratar a deficiência real, com segurança e expectativa realista sobre o que a reposição pode oferecer.

Agende sua consulta

Se você se reconhece nos sintomas e quer entender se a testosterona feminina tem papel no seu caso, a avaliação com a Dra. Astrid ajuda a esclarecer.

Não conviva com sintomas que podem ter uma causa hormonal. Faça uma consulta e receba uma avaliação completa, baseada na sua história clínica, nos exames e nas suas necessidades individuais. 

As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.​​

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Conteúdo atualizado em 2026.

Astrid Boller I Ginecologia I CRM-MG 23189 I RQE 10716

FAQ: Dúvidas frequentes sobre testosterona feminina: o que é, quando repor, para que serve

1. Testosterona para mulheres é segura?

Em doses fisiológicas e com acompanhamento, costuma ser bem tolerada. A segurança depende da dose correta e do monitoramento periódico dos exames. O excesso é o que gera efeitos indesejados, não a reposição bem conduzida.

2. Testosterona feminina causa barba?

Em doses adequadas, não é o esperado. O crescimento de pelos costuma estar ligado a excesso de dose. Com acompanhamento e ajuste, esse efeito é evitável na maioria dos casos.

3. Implante hormonal subcutâneo é seguro?

Pode ser, desde que a dose seja bem calculada e acompanhada. Como não permite ajuste após a inserção, exige um cuidado maior com o monitoramento para evitar excesso ao longo dos meses.

4. Quanto tempo leva para sentir efeito do implante hormonal?

A resposta é gradual, em geral ao longo de algumas semanas. Sintomas como disposição e libido tendem a melhorar antes de o resultado se estabilizar. A avaliação periódica confirma se a dose está adequada.

5. A testosterona aumenta o risco de câncer de mama em mulheres?

Em doses fisiológicas, a evidência disponível é tranquilizadora, e o perfil difere das terapias hormonais combinadas. Ainda assim, a decisão é individual e exige acompanhamento, considerando o histórico de cada paciente.

6. Posso combinar androgênio com a reposição de estrogênio?

Sim, e essa combinação é comum quando há indicação para ambos. A testosterona costuma compor a reposição hormonal junto ao estrogênio, sempre ajustada ao perfil e aos sintomas de cada mulher.

7. A testosterona feminina é aprovada pela Anvisa?

Ainda não há apresentação aprovada pela Anvisa especificamente para mulheres. O uso é off-label, adotado por especialistas com base em consensos internacionais, sempre com avaliação e acompanhamento individualizados.

8. Gel hormonal ou implante subcutâneo: qual é melhor?

Não há um melhor universal. O gel permite ajuste fino da dose, e o implante favorece a adesão. A escolha depende do seu perfil, da sua rotina e da preferência discutida em consulta.

9. Como saber se preciso de reposição de testosterona?

Pela soma de sintomas compatíveis e exames que mostrem deficiência, interpretados em conjunto. Não é o número isolado que decide, e sim a correlação clínica feita na avaliação médica.

10. O androgênio feminino funciona para a falta de libido?

A reposição de testosterona é o principal tratamento hormonal para a perda de desejo na pós-menopausa, quando há deficiência. A resposta é individual e melhor avaliada com acompanhamento.