Climatério e Menopausa

Climatério: sintomas, fases e tratamento — guia completo

Climatério: sintomas, fases e tratamento — guia completo

O climatério é uma das fases mais transformadoras da vida de uma mulher, e uma das mais mal compreendidas. Muitas delas chegam aos 40 anos com irregularidades menstruais, noites mal dormidas e oscilações de humor sem perceber que o momento da transição hormonal já começou.

Essa etapa da vida feminina é frequentemente confundida com a menopausa, um evento pontual durante essa fase. Já o climatério é todo o período de transição hormonal que pode durar anos

Se você tem entre 35 e 65 anos e percebe mudanças no seu ciclo, no sono, no humor ou no peso, é possível que a transição menopáusica já tenha começado. Neste guia, a Dra. Astrid Boller, Ginecologista com atuação em saúde hormonal em Belo Horizonte, explica as fases, sintomas e tratamentos disponíveis. 

O que é climatério e por que não é a mesma coisa que menopausa?

O climatério é o período de transição hormonal entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher, podendo se estender dos 35 aos 65 anos. 

Durante esse tempo, os ovários reduzem progressivamente a produção de hormônios, especialmente a progesterona e o estrogênio, desencadeando uma série de mudanças no organismo. 

Menopausa é uma fase dentro do climatério

Por sua vez, a menopausa é apenas uma parte desse período de transição hormonal. Ela representa o último ciclo menstrual, confirmada somente após 12 meses de amenorreia, isto é, sem menstruação. 

Após esse marco, a mulher entra na pós-menopausa, fase que dura pelo resto da vida. É importante entender que o climatério engloba três fases, que serão explicadas melhor no próximo tópico. Compreender detalhadamente este período de transição pode ajudar a identificar sinais que passam despercebidos. 

As três fases do climatério

O período de transição hormonal não acontece de uma hora para outra, ele se desenvolve em etapas, cada fase apresenta características específicas. Veja a tabela abaixo: 

PerimenopausaMenopausaPós-menopausa
Início: 35–40 anosMarco: último ciclo menstrualApós 12 meses sem menstruação
Duração: 4–8 anosIdade média no Brasil: 48–51 anosFase mais longa da transição hormonal
Ciclos irregulares, primeiros fogachos, alterações de humorDiagnóstico retrospectivo (confirmado após 12 meses)FSH elevado, estrogênio baixo; atenção à saúde óssea e cardiovascular

Perimenopausa: a transição começa antes do esperado

A primeira etapa do climatério pode se iniciar já aos 35–40 anos, muito antes do que a maioria imagina.  

De acordo com a Harvard Health, a queda da progesterona provoca ciclos irregulares, primeiros fogachos e oscilações de humor, mesmo que a mulher ainda esteja menstruando. O período pode durar de 4 a 8 anos e costuma passar despercebido no início.

Menopausa: o marco dos 12 meses

De acordo com texto da National Institutes of Health, a menopausa é definida clinicamente como a ausência de menstruação por 12 meses consecutivos. 

Seu diagnóstico é retrospectivo, ou seja, você só sabe que aconteceu após completar um ano sem menstruar. A menopausa acontece, em média, entre os 48 e 51 anos no Brasil, embora possa variar de mulher para mulher. 

Pós-menopausa: a fase mais longa

Após a menopausa, o organismo da mulher se estabiliza em um novo patamar hormonal: níveis elevados de Hormônio Folículo-Estimulante (FSH) e estrogênio baixo. Os sintomas podem persistir ou surgir pela primeira vez nesse período. 

Aqui a atenção à saúde óssea e cardiovascular se torna especialmente importante. Isso porque as alterações hormonais aumentam o risco de osteoporose e doenças cardiovasculares. 

Por isso, é importante buscar a compreensão de cada fase com um especialista. Ele pode ajudar você a compreender melhor os sintomas e direcionar a avaliação hormonal de forma mais precisa.

Os sintomas do climatério: o que você pode sentir?

Segundo artigo da Mayo Clinic, os sintomas dessa fase variam em intensidade e duração de mulher para mulher. Conheça os principais.

Fogachos e suores noturnos

A queda do estrogênio compromete a termorregulação do hipotálamo, gerando ondas de calor repentinas que podem durar de 1 a 5 minutos. 

Os fogachos podem variar desde intensidade leve a incapacitante, com  sintomas que podem persistir por muito tempo, geralmente entre 7 a 10 anos.

Alterações do sono

Associada aos fogachos noturnos, a insônia de manutenção é bastante comum nas pacientes. 

Elas podem acordar no meio da noite e perder o sono com muita frequência neste período. Isso impacta diretamente a memória, o humor e a energia ao longo do dia.

Alterações de humor e ansiedade

A queda do estrogênio afeta a regulação da serotonina, causando irritabilidade, episódios de choro e ansiedade. Em alguns casos, os sintomas podem ser confundidos com depressão.

Ressecamento vaginal e desconforto sexual

A síndrome geniturinária da menopausa inclui redução da lubrificação, ardência e dor durante as relações sexuais (dispareunia). Embora seja um sintoma frequente durante essa fase, não é relatado muitas vezes nas consultas por vergonha da paciente.

Queda de libido

A redução do desejo sexual é multifatorial e envolve queda de testosterona e estrogênio, além de fatores psicológicos e relacionais. É importante mencionar que a falta da libido pode ser remissível após tratamentos orientados corretamente numa consulta ginecológica.

Outros sintomas frequentes

Durante o período de transição hormonal é possível identificar outros sinais como:

  • Ganho de peso abdominal. 
  • Queda de cabelo hormonal.
  • Fadiga persistente.
  • Névoa mental (brain fog).
  • Palpitações.
  • Ressecamento de pele. 

Ao notar esses sintomas, é importante buscar apoio de uma Ginecologista. Buscar uma orientação médica é o melhor caminho para evitar sofrimento durante essa fase tão importante e incompreendida por muitas mulheres.

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Climatério precoce — quando os sintomas chegam antes dos 40

Quando os sinais de transição hormonal aparecem antes dos 40 anos, talvez esteja ocorrendo a chamada Insuficiência Ovariana Prematura (IOP). Essa condição pode levar à menopausa precoce devido à irregularidade do funcionamento dos ovários em mulheres com 40 anos.

Entre as causas estão predisposição genética, tabagismo, cirurgias ovarianas e doenças autoimunes. Seu diagnóstico é feito por avaliação hormonal (FSH, LH e estradiol), e o tratamento precoce é fundamental tanto para o alívio dos sintomas quanto para a proteção da saúde óssea e cardiovascular a longo prazo. 

Fazer o acompanhamento precoce ajuda a reconhecer sinais precoces. Eles merecem investigação cuidadosa para evitar impactos na saúde da mulher aos 40 anos a longo prazo. 

Como é feito o diagnóstico do climatério?

Na transição menopáusica o diagnóstico dessa condição é clínico e laboratorial, combinado da escuta dos sintomas relatados pela paciente com a análise de exames específicos. O diagnóstico considera sintomas e exames hormonais. Os principais são:

  • FSH, LH e estradiol: avaliam a função ovariana e confirmam o cenário hormonal dessa etapa da vida.
  • TSH: essencial para o diagnóstico diferencial com hipotireoidismo, condição que pode mimetizar vários sintomas dessa fase.
  • Densitometria óssea: avalia o risco de osteoporose, especialmente importante na pós-menopausa.
  • Perfil lipídico: monitora o risco cardiovascular, que aumenta após a menopausa.

Fazer uma avaliação ginecológica é importante, pois define os exames mais adequados para cada caso. Somente por meio dela  que você terá a definição dos tratamentos mais adequados para você.

Quais são as opções de tratamento?

Não existe um tratamento único nesse caso. O plano deve ser construído de forma individualizada, considerando o perfil de saúde, os sintomas e os objetivos de cada mulher. Conheça algumas opções.

Terapia de Reposição Hormonal (TRH)

A TRH é a opção mais eficaz para o controle dos sintomas vasomotores (fogachos e suores noturnos) e dos sintomas geniturinários (secura vaginal, dor nas relações sexuais). Esse tratamento é feito com estrogênio e, quando necessário, progesterona em doses e vias ajustadas para cada paciente. 

De acordo com revisões da Cochrane Library, a TRH é a abordagem com maior evidência científica para alívio dos fogachos. Sua indicação deve ser avaliada por uma Ginecologista após análise do histórico clínico completo.

Alternativas não hormonais

Para mulheres com contraindicação à TRH ou que preferem não utilizá-la, existem alternativas que atuam em sintomas específicos:

  • ISRS (antidepressivos): úteis para fogachos e alterações de humor.
  • Fitoestrógenos: compostos vegetais com ação estrogênica leve.
  • Laserterapia vaginal: eficaz para sintomas geniturinários como ressecamento e dispareunia.

Apesar disso, vale mencionar que essas alternativas têm uma menor eficácia para o combate de sintomas vasomotores. Por isso, é importante conversar com uma Ginecologista antes de tomar qualquer atitude.

Exercícios e mudanças de estilo de vida

Independentemente do tratamento farmacológico, ajustes no estilo de vida potencializam qualquer abordagem. Geralmente, podem ser indicados algumas alternativas para a mulher que está passando por este período, como:

  • Exercício físico regular, combinando treino de resistência e aeróbico.
  • Alimentação baseada no padrão mediterrâneo.
  • Controle do peso corporal.
  • Cessação do tabagismo.

O tratamento dessa fase não precisa seguir um único caminho e muitas vezes a melhor estratégia combina mais de uma abordagem. Compreender as possibilidades de tratamento ajuda a construir decisões mais seguras e alinhadas às necessidades de cada mulher. 

Quando procurar uma Ginecologista especialista em Climatério?

Sinais como irregularidade menstrual intensa, sangramento após a menopausa e sintomas precoces antes dos 40 anos exigem investigação para identificar alterações hormonais e orientar o cuidado mais adequado.

O acompanhamento ginecológico ajuda no controle sintomático. Assim, buscar orientação ao perceber mudanças persistentes no sono, humor ou ciclo menstrual pode evitar que sintomas tratáveis sejam normalizados.

Agende uma avaliação com a Dra. Astrid Boller

A Dra. Astrid Boller (CRM-MG 23189 | RQE 10716) é médica Ginecologista formada pela UFMG, com especialização no Hospital das Clínicas, Mestrado e cursos no exterior. Com atuação dedicada à saúde hormonal feminina acompanha a mulher em todas as fases da vida. 

VÍDEO: Conheça a Dra. Astrid Boller

Também possui pós-graduação em dermatologia estética, atuando com rejuvenescimento facial e corporal. Atende presencialmente em Belo Horizonte com foco em cuidado individualizado. Instituto Medicina em Foco

Entender os sintomas do climatério pode ajudar você a buscar o cuidado adequado para essa fase.

As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.​​

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Conteúdo atualizado em 2026.

FAQ – Dúvidas frequentes sobre Climatério: sintomas, fases e tratamento — guia completo

1. Climatério e menopausa são a mesma coisa? 

Não. A menopausa é o último ciclo menstrual; o climatério é todo o período de transição hormonal que a envolve.

2. Com que idade começa o climatério? 

Esse período pode começar aos 35–40 anos, na perimenopausa, mesmo que a mulher ainda esteja menstruando.

3. Quanto tempo dura a perimenopausa? 

Em média, de 4 a 8 anos, até a confirmação da menopausa.

4. Posso engravidar durante a perimenopausa? 

Sim. Enquanto houver ovulação, mesmo irregular, a gravidez é possível. Converse com sua Ginecologista.

5. Os fogachos param depois da menopausa? 

Não necessariamente. Podem persistir por 7 a 10 anos. Algumas mulheres têm alívio espontâneo; outras precisam de tratamento.

6. Oscilação de humor é sintoma de desequilíbrio hormonal? 

Pode ser. A queda do estrogênio afeta a serotonina e impacta o humor. Uma avaliação clínica é essencial.

7. Preciso fazer reposição hormonal se meus sintomas são leves? 

Não obrigatoriamente. Depende do histórico clínico. Em alguns casos, mudanças de estilo de vida são suficientes.

8. Quais exames pedir para avaliar os hormônios femininos? 

FSH, LH, estradiol e TSH são os principais. Densitometria óssea e perfil lipídico complementam a avaliação.

9. Queda de cabelo pode ser sintoma de desequilíbrio hormonal? 

Sim. É frequente nessa fase. Hipotireoidismo e anemia também podem causar queda de cabelo hormonal.

10. É possível ter menopausa precoce antes dos 40 anos? 

Sim. Aos 40 anos, a menopausa precoce pode decorrer da Insuficiência Ovariana Prematura (IOP). Ela exige diagnóstico e tratamento precoces.