Atrofia vaginal na menopausa: sintomas, causas e tratamento

Ressecamento, ardência, coceira, desconforto ao urinar e dor durante a relação sexual podem indicar atrofia vaginal. Atualmente, essas alterações são compreendidas de forma mais ampla como parte da síndrome geniturinária da menopausa, associada principalmente à redução dos níveis de estrogênio.
Com a queda hormonal, os tecidos da vulva, da vagina e do trato urinário podem se tornar mais finos, menos elásticos e menos lubrificados. Essas mudanças costumam surgir durante o climatério, período que engloba a transição para a menopausa, e podem persistir sem tratamento.
Neste guia, a Dra. Astrid Boller, Ginecologista com atuação em saúde hormonal e Ginecologia Regenerativa em Belo Horizonte, explica o que é a atrofia vaginal, quais sintomas podem surgir, como é feita a avaliação e quais tratamentos podem ser considerados de acordo com cada caso.
O que é a atrofia vaginal?
A atrofia vaginal corresponde a alterações provocadas pela redução do estrogênio, como afinamento da mucosa, menor lubrificação e perda de elasticidade dos tecidos da vagina e da vulva. Essas mudanças tornam a região mais suscetível a ressecamento, irritação e desconforto.
Atualmente, o termo mais abrangente é síndrome geniturinária da menopausa (SGM), pois a deficiência de estrogênio pode afetar, além da vagina e da vulva, estruturas do trato urinário inferior, como uretra e bexiga, favorecendo também o aparecimento de sintomas urinários.
A expressão atrofia vulvovaginal continua sendo utilizada para descrever especificamente as alterações da vulva e da vagina. Já a SGM contempla um conjunto mais amplo de manifestações genitais, sexuais e urinárias relacionadas às mudanças hormonais do climatério e da pós-menopausa.
A atrofia é frequente após a menopausa e pode causar sintomas persistentes quando não é abordada. Como algumas mulheres demoram a relatar essas alterações durante a consulta, a identificação do quadro pode ser adiada, assim como a definição do tratamento mais adequado.
Reconhecer a origem hormonal desses sintomas é importante para diferenciar o quadro de outras condições ginecológicas que também podem causar ardência, dor ou irritação. A avaliação médica permite confirmar a causa das alterações e indicar a abordagem mais apropriada para cada caso.
O que causa a atrofia vaginal?
A principal causa é a redução da ação do estrogênio sobre os tecidos genitais, especialmente após a menopausa. Com níveis hormonais mais baixos, a mucosa vaginal pode se tornar mais fina, menos elástica e menos lubrificada, favorecendo o aparecimento progressivo dos sintomas.
Entretanto, também pode ocorrer em outras situações associadas à redução do estrogênio. Durante o pós-parto e a amamentação, por exemplo, alterações hormonais podem provocar ressecamento e desconforto vaginal temporários.
Outras condições incluem a insuficiência ovariana antes dos 40 anos, a retirada cirúrgica dos ovários e determinados tratamentos oncológicos que reduzem a produção ou bloqueiam a ação do estrogênio.
A expressão “secura vaginal na menopausa” se refere ao ressecamento relacionado à deficiência estrogênica dessa fase, mas sintomas semelhantes podem ocorrer em mulheres mais jovens por outras causas hormonais. Por isso, idade e presença de ciclos menstruais não são suficientes para determinar a origem do desconforto.
Na perimenopausa, as oscilações hormonais também podem favorecer o início dos sintomas antes da última menstruação. Identificar a atrofia vaginal e investigar outras possíveis causas permite definir o tratamento conforme o contexto clínico e a intensidade das alterações.
Sintomas: como reconhecer a atrofia vaginal
Os sintomas podem surgir gradualmente e variar em intensidade. Como algumas alterações se desenvolvem ao longo do tempo, elas podem ser atribuídas ao envelhecimento ou consideradas passageiras, o que pode atrasar a identificação da atrofia vaginal e a procura por avaliação médica.
Além das manifestações genitais, o desconforto persistente pode interferir na atividade sexual e na qualidade de vida. Observar a frequência, a intensidade e a evolução dos sintomas ajuda a diferenciar alterações relacionadas à deficiência de estrogênio de outras condições ginecológicas.
Sintomas vaginais
O ressecamento vaginal é uma das manifestações mais frequentes e pode vir acompanhado de ardência, coceira, irritação e sensação de menor elasticidade. Pequenos sangramentos após atrito ou relação sexual também podem ocorrer devido à maior fragilidade da mucosa.
Essas alterações geralmente apresentam evolução progressiva e persistente. Entretanto, sintomas como ardência, coceira e irritação também podem ocorrer em infecções e outras doenças vulvovaginais; por isso, a forma de início, isoladamente, não é suficiente para determinar a causa.
Dor na relação sexual (dispareunia)
A dor durante a relação sexual, denominada dispareunia, pode ocorrer quando a redução da lubrificação e da elasticidade aumenta o atrito e torna o contato desconfortável. A intensidade varia e pode incluir ardência, dor superficial ou desconforto durante a penetração.
Quando esse sintoma surge, é importante investigar sua origem em vez de atribuí-lo apenas à redução do desejo sexual. Alterações hormonais estão entre as possíveis causas, mas outras condições ginecológicas também podem provocar dor e precisam ser consideradas durante a avaliação.
A persistência da dor pode levar à redução ou interrupção das relações sexuais devido ao desconforto. Identificar o mecanismo envolvido permite direcionar o tratamento para a causa e buscar maior conforto durante a atividade sexual.
Sintomas urinários
A deficiência de estrogênio também pode provocar alterações nos tecidos da uretra e do trato urinário inferior. Entre as manifestações possíveis estão urgência e aumento da frequência urinária, ardência ao urinar e maior ocorrência de infecções urinárias recorrentes.
Esses sintomas fazem parte da síndrome geniturinária da menopausa quando estão relacionados às alterações decorrentes da deficiência estrogênica. Avaliá-los em conjunto com as manifestações vaginais permite compreender melhor a extensão do quadro e definir a abordagem adequada.
Nas mulheres após a menopausa com infecções urinárias recorrentes, o tratamento das alterações geniturinárias pode fazer parte da estratégia de prevenção, conforme indicação médica. Antes disso, é necessário confirmar as infecções e avaliar outros fatores que também possam favorecer sua repetição.
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Como é feito o diagnóstico e o tratamento
A avaliação permite confirmar a causa dos sintomas e definir a abordagem mais adequada conforme intensidade das queixas, histórico de saúde e possíveis contraindicações. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento da atrofia vaginal são individualizados.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da atrofia vaginal é predominantemente clínico e considera os sintomas relatados e o exame ginecológico. Durante a avaliação, podem ser identificadas alterações como mucosa mais fina, pálida, seca e menos elástica, compatíveis com a redução da ação do estrogênio.
Na maioria dos casos, exames complementares não são necessários para confirmar o quadro. Entretanto, eles podem ser solicitados quando há dúvida diagnóstica ou necessidade de investigar outras causas de ardência, coceira, dor, corrimento ou sangramento.
Essa diferenciação é importante porque infecções, dermatites, doenças vulvares e outras condições ginecológicas podem provocar sintomas semelhantes. Por isso, reconhecer as alterações ajuda a procurar atendimento, mas não substitui a avaliação clínica.
Relatar sintomas como ressecamento, dor durante a relação e alterações urinárias permite identificar a condição e compreender sua intensidade. Essas informações também ajudam a definir quais medidas podem oferecer maior benefício em cada situação.

Tratamentos disponíveis
Existem diferentes estratégias para tratar a atrofia vaginal, escolhidas conforme a intensidade dos sintomas, o histórico clínico e as preferências da paciente. Medidas não hormonais, terapias locais e, em situações específicas, tratamentos sistêmicos podem fazer parte da abordagem.
| Tratamento | Como atua | Quando pode ser considerado |
| Hidratantes e lubrificantes | Reduzem ressecamento e atrito | Sintomas leves ou como complemento |
| Estrogênio tópico | Atua diretamente sobre os tecidos geniturinários | Sintomas persistentes, conforme avaliação |
| Laser vaginal | Utiliza energia para produzir alterações térmicas no tecido | Casos selecionados; evidências ainda limitadas |
| DHEA vaginal e reposição sistêmica | Atuam por vias hormonais locais ou sistêmicas | Situações específicas, conforme indicação |
| Radiofrequência vaginal | Promove aquecimento controlado dos tecidos por energia de radiofrequência | Casos selecionados; evidências ainda em desenvolvimento |
Hidratantes e lubrificantes vaginais
Para sintomas leves, hidratantes vaginais e lubrificantes podem ser utilizados como medidas iniciais. Os hidratantes são aplicados regularmente para reduzir o ressecamento, enquanto os lubrificantes diminuem o atrito e o desconforto durante a atividade sexual.
Esses produtos atuam principalmente no controle dos sintomas e não corrigem diretamente a deficiência hormonal responsável pelas alterações do tecido. Por isso, podem ser utilizados isoladamente em quadros leves ou associados a outras estratégias quando necessário.
A resposta deve ser acompanhada ao longo do tempo. Quando as medidas não hormonais não oferecem controle suficiente, a persistência dos sintomas pode indicar a necessidade de discutir outras opções terapêuticas durante a avaliação ginecológica.
Estrogênio tópico (creme ou óvulo vaginal)
O estrogênio tópico, disponível em diferentes formulações vaginais, atua diretamente sobre os tecidos afetados pela deficiência hormonal. O tratamento pode melhorar espessura, elasticidade e lubrificação da mucosa, além de reduzir sintomas genitais e urinários ao longo do tempo.
Em formulações de baixa dose, a exposição sistêmica ao estrogênio costuma ser significativamente menor do que na terapia hormonal sistêmica. Ainda assim, a indicação deve considerar o histórico clínico, os sintomas e eventuais situações que exijam avaliação individualizada.
Essa diferença é particularmente relevante para mulheres que apresentam sintomas predominantemente geniturinários e não possuem indicação de tratamento hormonal sistêmico. A escolha da formulação, da dose e do tempo de uso deve ser definida em consulta.
Laser vaginal e terapias regenerativas
O laser vaginal utiliza energia aplicada à mucosa com o objetivo de promover alterações locais no tecido. Alguns estudos relatam melhora de sintomas, mas as evidências disponíveis ainda apresentam limitações quanto à eficácia sustentada, segurança em longo prazo e comparação com tratamentos consolidados.
Por esse motivo, o procedimento não deve ser apresentado como substituto comprovadamente equivalente às terapias hormonais locais. Sua utilização pode ser discutida em situações selecionadas, após esclarecimento sobre benefícios, limitações e alternativas disponíveis. Há outras terapias de rejuvenescimento íntimo a considerar conforme o caso.
Quando indicado, o tratamento costuma ser realizado em sessões, e a resposta deve ser reavaliada antes de definir novas aplicações ou manutenção. A decisão depende das características clínicas e das expectativas estabelecidas durante a consulta.
DHEA vaginal e reposição sistêmica
O DHEA vaginal (prasterona) é uma opção hormonal local utilizada em situações específicas para reduzir sintomas geniturinários, especialmente desconforto e dor durante a relação. A indicação depende da disponibilidade do tratamento, do perfil clínico e da avaliação individual.
A terapia hormonal sistêmica também pode melhorar sintomas geniturinários, mas não costuma ser escolhida exclusivamente para alterações vaginais quando o tratamento local é suficiente. Quando existem outras indicações relacionadas ao climatério, há diferentes opções de reposição hormonal a considerar em conjunto.
Radiofrequência vaginal
A radiofrequência vaginal utiliza ondas eletromagnéticas para promover aquecimento controlado dos tecidos da região íntima. Esse estímulo térmico busca favorecer remodelamento do colágeno e alterações locais que podem contribuir para melhora da qualidade e da elasticidade do tecido.
Alguns estudos apontam melhora de sintomas relacionados à síndrome geniturinária, como ressecamento e desconforto vaginal. Entretanto, as evidências ainda são limitadas, especialmente quanto à eficácia sustentada e à segurança em longo prazo, exigindo indicação criteriosa.
Assim como ocorre com o laser vaginal, a radiofrequência não deve ser apresentada como substituta comprovadamente equivalente aos tratamentos hormonais estabelecidos. A indicação depende dos sintomas, do histórico clínico e da avaliação individual de cada paciente.
Atrofia vulvogenital tem cura?
A atrofia vaginal está relacionada principalmente à redução persistente do estrogênio e, por isso, costuma ser considerada uma condição crônica. Após a menopausa, os tecidos geniturinários podem voltar a apresentar alterações quando o tratamento é interrompido.
Isso significa que o objetivo do tratamento é controlar os sintomas e preservar as condições da mucosa ao longo do tempo. A necessidade de manutenção, a frequência de uso e a escolha da terapia dependem da intensidade das alterações e da resposta de cada paciente.
Com uma abordagem adequada, sintomas como ressecamento, ardência e dor durante a relação podem apresentar melhora significativa. O acompanhamento permite revisar a estratégia periodicamente e ajustar o tratamento conforme a evolução clínica da atrofia vaginal.
Tratamento da atrofia vulvogenital com a Dra. Astrid Boller
A Dra. Astrid Boller é Ginecologista com atuação em saúde hormonal feminina e Ginecologia Regenerativa, em Belo Horizonte. Diante de uma queixa de ressecamento e desconforto íntimo, o seu cuidado é avaliar a saúde da mucosa e montar um plano conforme cada caso.
A proposta é olhar para o conjunto: os sintomas vaginais, urinários e a dor na relação, além das suas condições de saúde e preferências. A partir daí, discute-se qual tratamento faz sentido, do hidratante ao laser vaginal, com acolhimento e sem constrangimento.
Cada mulher vive esse quadro de um jeito, e o plano é construído em conjunto, conforme a avaliação clínica e as suas prioridades. O objetivo é devolver conforto e qualidade de vida.
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Se você reconheceu vários dos sinais deste guia, uma avaliação pode esclarecer o seu caso e definir o melhor tratamento.
Cuidar da saúde íntima é parte de cuidar da sua saúde e do seu bem-estar. A Dra. Astrid Boller está à disposição para acompanhar você com informação clara e sem pressa.
As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.
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Conteúdo atualizado em 2026.
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FAQ – Dúvidas frequentes sobre Atrofia vaginal na menopausa: sintomas, causas e tratamento
1. O que é atrofia vaginal e o que causa?
É o afinamento e o ressecamento da mucosa da vagina e da vulva pela queda do estrogênio. A causa mais comum é a menopausa, mas também ocorre no pós-parto, na menopausa precoce e em alguns tratamentos oncológicos.
2. Quais os sintomas da atrofia vaginal?
Os mais comuns são ressecamento, ardência, coceira, sensação de aperto e dor na relação sexual. Também podem surgir sintomas urinários, como urgência, ardência ao urinar e infecções de repetição.
3. Como tratar a atrofia vaginal na menopausa?
O tratamento é individualizado e pode incluir hidratantes e lubrificantes, estrogênio tópico, laser vaginal e, em casos selecionados, reposição sistêmica. A escolha depende dos sintomas e da sua saúde, conforme avaliação médica.
4. O que usar para atrofia vaginal?
Depende da intensidade. Sintomas leves costumam responder a hidratantes e lubrificantes; casos mais marcados tendem a se beneficiar do estrogênio tópico ou do laser. A indicação é sempre individual e feita em consulta.
5. Quanto tempo dura o tratamento de atrofia vaginal?
Como a condição está ligada ao estado hormonal, o tratamento costuma ser de manutenção, e não por tempo curto e fixo. O plano é ajustado ao seu caso e revisto ao longo do acompanhamento.
6. Atrofia vaginal tem cura?
Ela costuma ter caráter crônico, então o mais correto é falar em controle com manutenção, e não em cura definitiva. Com tratamento adequado, é possível viver sem os sintomas, com acompanhamento regular.
7. O estrogênio tópico é seguro para atrofia vaginal?
O estrogênio tópico tem absorção muito baixa pelo corpo e, por isso, apresenta um perfil de segurança diferente da reposição sistêmica. É opção para muitas mulheres, mas a indicação é sempre individual e avaliada em consulta.
8. O laser vaginal funciona para ressecamento?
O laser pode estimular a mucosa e melhorar a hidratação em parte das pacientes. A evidência ainda está em evolução, então ele é apresentado como opção real, sem promessa de resultado garantido, conforme cada caso.
9. Como aliviar a dor na relação causada pela atrofia?
Tratar a atrofia costuma aliviar a dor: hidratantes, lubrificantes e estrogênio tópico ajudam a restaurar a mucosa. A dispareunia tem causa física e tratamento, e não deve ser confundida com falta de desejo.
10. Atrofia vaginal pode acontecer sem menopausa?
Sim. Sempre que o estrogênio cai, o quadro pode surgir. Isso acontece no pós-parto e na amamentação, após a retirada dos ovários e em tratamentos que bloqueiam o hormônio, mesmo em mulheres jovens.