SOMP, o novo nome da SOP: sintomas, diagnóstico e tratamento

Mais do que uma mudança de nome, a síndrome do ovário policístico passou a ser compreendida de forma muito mais ampla. Hoje, ela é chamada de SOMP, Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina. A mudança não é apenas cosmética, ela reflete o que a ciência já sabe há anos.
Não existem “cistos” reais nos ovários, mas múltiplos folículos que não chegam a amadurecer. Neste caso, o ultrassom identifica o padrão multifolicular ovariano. E a síndrome vai muito além do ovário: envolve desequilíbrios hormonais, resistência à insulina e inflamação crônica.
Neste guia, você vai encontrar tudo sobre SOMP: seus sintomas, diagnóstico e tratamento, explicados de forma acessível e baseada em evidências. Compreender essa nova abordagem pode ajudar você a identificar sinais precoces e entender melhor sua saúde hormonal.
De SOP para SOMP: Por que o nome mudou?
Durante décadas, o nome síndrome do ovário policístico criou uma imagem equivocada: muitas mulheres imaginavam ovários com a presença de cistos como os da endometriose ou cistos simples.
Na prática, o ultrassom mostra folículos pequenos e numerosos que não chegaram a ovular. Além disso, a condição não afeta apenas os ovários, mas também o metabolismo e diferentes sistemas hormonais do organismo.
Por esse motivo, surgiu a proposta de substituir o nome síndrome do ovário policístico por SOMP, um termo que descreve de forma mais precisa as características da síndrome. A nova nomenclatura destaca três dimensões principais da condição, segundo critérios de Rotterdam:
- Ovariana: os ovários produzem andrógenos em excesso (hiperandrogenismo).
- Metabólica: resistência à insulina, inflamação de baixo grau e risco cardiovascular elevado a longo prazo.
- Poliendócrina: múltiplos eixos hormonais envolvidos. Ovário, adrenal e eixo hipotálamo-hipófise.
Na prática, a mudança de nomenclatura amplia a compreensão da condição para além da menstruação. Entender essa mudança de nomenclatura ajuda a enxergar a síndrome do ovário policístico de forma mais completa e alinhada ao conhecimento atual.
O que é a SOMP?
Atualmente, a síndrome do ovário policístico, agora chamada de SOMP, é uma síndrome hormonal crônica caracterizada por hiperandrogenismo, alterações menstruais e morfologia ovariana multifolicular ao ultrassom.
Seu diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais amplamente utilizados na prática médica. Pelos critérios de Rotterdam (parâmetros usados no diagnóstico da síndrome do ovário policístico), a presença de 2 dos 3 achados já pode ser suficiente para o diagnóstico.
Conforme informações da Mayo Clinic, a SOMP afeta entre 8% e 13% das mulheres em idade reprodutiva, sendo a endocrinopatia mais comum nessa fase da vida. Sua origem é multifatorial e envolve:
- Predisposição genética.
- Fatores metabólicos, como sedentarismo e alimentação ultraprocessada.
- Influências ambientais, como disruptores endócrinos e estresse crônico.
Muitas vezes negligenciada, a SOMP não é apenas um problema reprodutivo. Trata-se de uma condição metabólica com impactos que podem se estender da vida reprodutiva à menopausa. Conhecer seus mecanismos ajuda a tomar decisões mais conscientes sobre prevenção e tratamento.
Sintomas da SOMP
Sintomas hormonais (Hiperandrogenismo)
Entre as principais características da SOMP, o hiperandrogenismo é a mais marcante. Muitas mulheres com síndrome do ovário policístico apresentam inicialmente alterações hormonais que podem ser confundidas com outros problemas. Os sintomas mais comuns incluem:
- Pelos excessivos (hirsutismo): crescimento de pelos em face, queixo, pescoço, abdômen e virilha.
- Acne hormonal: concentrada no queixo, linha da mandíbula e pescoço, com piora na fase pré-menstrual.
- Queda de cabelo: do tipo androgenético, com afinamento frontoparietal (resposta ao excesso de andrógenos).
- Ciclo menstrual irregular ou ausente: ciclos com mais de 35 dias ou ausência de ovulação (anovulação).
Sintomas metabólicos
De acordo com uma revisão publicada na Endocrine Reviews, a resistência à insulina afeta entre 50% e 70% das mulheres com SOMP, podendo ocorrer mesmo em pacientes sem obesidade.
Esse dado reforça o caráter metabólico da síndrome do ovário policístico, que se manifesta por compulsão por carboidratos, fadiga após as refeições e dificuldade para emagrecer.
A partir desse mecanismo, a avaliação da SOMP também deve considerar sinais clínicos e alterações laboratoriais que indicam repercussões metabólicas, como:
- Acantose nigricans: escurecimento de nuca, axilas e virilha, representando um sinal visível de resistência insulínica.
- Dislipidemia: HDL baixo e triglicerídeos elevados, aumentando o risco cardiovascular a longo prazo.
- Ovário policístico e risco de diabetes: mulheres com SOMP têm maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida, razão pela qual o acompanhamento metabólico é essencial desde o diagnóstico.
Sintomas emocionais e de bem-estar
Para além dos aspectos hormonais e metabólicos, a SOMP também pode afetar a saúde emocional. Muitas mulheres convivem com sintomas que impactam o bem-estar e a autoestima, tornando importante uma abordagem integral.
- Ansiedade e depressão são mais prevalentes em mulheres com SOMP, tanto por mecanismos hormonais quanto pelo impacto na autoimagem.
- Pelos excessivos, acne e variações de peso podem afetar a autoestima e o bem-estar emocional.
- Fadiga crônica é um sintoma frequente e pode comprometer a qualidade de vida.
- Sono não restaurador pode contribuir para cansaço persistente e dificuldade de concentração.
- Compulsão alimentar pode estar relacionada à resistência à insulina e às oscilações dos níveis de glicose no sangue.
Considerar esses fatores em conjunto favorece mais equilíbrio e qualidade de vida. Reconhecer esses sintomas é um passo importante para investigar alterações hormonais e metabólicas que muitas vezes passam despercebidas.
Como é feito o diagnóstico da SOMP?
Para confirmar a condição, o diagnóstico de síndrome do ovário policístico metabólico segue os critérios de Rotterdam: a presença de dois dos três critérios abaixo é suficiente para confirmá-lo.
- Ciclos irregulares ou ausência de ovulação.
- Hiperandrogenismo: clínico (pelos, acne) ou laboratorial (exames com andrógenos elevados).
- Morfologia ovariana multifolicular ao ultrassom: 20 ou mais folículos por ovário, ou volume ovariano acima de 10 mL.
Importante destacar: não são cistos, e sim folículos. O padrão multifolicular do ovário no ultrassom descreve folículos pequenos e numerosos, e não estruturas císticas como as da endometriose. Essa diferença é fundamental para compreender o diagnóstico com clareza.
Exames laboratoriais para SOMP
Durante a investigação clínica, os exames laboratoriais ajudam a confirmar o diagnóstico e a compreender como a síndrome se manifesta em cada mulher. Além de avaliar os hormônios, eles permitem investigar alterações metabólicas frequentemente associadas à SOMP.
- Perfil androgênico: testosterona total e livre, SDHEA, androstenediona.
- Insulinemia em jejum e glicemia: para calcular o HOMA-IR (índice de resistência insulínica).
- Hormônio Folículo-Estimulante (FSH): LH, estradiol e progesterona na fase lútea do ciclo.
- Prolactina e TSH: para descartar outras causas de irregularidade menstrual.
- 17-OH Progesterona: para excluir hiperplasia adrenal congênita de apresentação tardia.
Durante a investigação da SOMP, os resultados dos exames devem ser interpretados em conjunto com os sintomas e o histórico clínico da paciente. Saber quais exames fazem parte da avaliação pode tornar o processo diagnóstico mais claro e menos angustiante.

Tratamento da SOMP individualizado e multidisciplinar
Diante da variedade de apresentações clínicas da síndrome do ovário policístico, não existe um protocolo único de tratamento. Cada mulher apresenta um perfil diferente de andrógenos, metabolismo e sintomas. Em função dessas diferenças, o tratamento deve ser personalizado para cada paciente.
Modulação hormonal
- Anticoncepcionais combinados: reduzem andrógenos e regulam o ciclo. Mas atenção: não tratam a causa subjacente. Ao suspender, os sintomas costumam retornar.
- Espironolactona: antiandrogênico que atua diretamente em pele, pelos e queda capilar é indicado para mulheres sem intenção de engravidar.
- Progesterona natural micronizada: regulariza o ciclo sem os efeitos adversos dos progestágenos sintéticos.
Controle metabólico
Dentro da relação entre SOP e metabolismo, a resistência à insulina ocupa um papel central. O controle metabólico adequado contribui para a melhora dos sintomas hormonais e da saúde a longo prazo.
Atualmente, o manejo da síndrome do ovário policístico prioriza uma abordagem que vai além do controle dos sintomas.
- Metformina: melhora a sensibilidade à insulina e pode restaurar a ovulação espontânea.
- Inositol (mio-inositol e D-chiro-inositol): sensibilizador insulínico com evidência crescente e menos efeitos adversos que a metformina.
- Suplementação de suporte: vitamina D (deficiente em 67–85% das mulheres com SOMP), ômega-3 e N-acetilcisteína reduzem inflamação e melhoram o perfil hormonal.
Estilo de vida como parte do tratamento
Além da terapia medicamentosa, o tratamento da SOMP inclui hábitos que favorecem o equilíbrio hormonal e metabólico. Para muitas pacientes com síndrome do ovário policístico, essas medidas fazem parte do tratamento de longo prazo. Entre as principais medidas recomendadas, destacam-se:
- Dieta de baixo índice glicêmico e anti-inflamatória: o ajuste mais eficaz no controle dos andrógenos e da resistência insulínica.
- Exercício físico regular: musculação combinada com exercício aeróbico aumenta a sensibilidade à insulina e melhora o perfil androgênico de forma mensurável.
- Controle do estresse: o cortisol cronicamente elevado piora a resistência insulínica e estimula a adrenal a produzir mais andrógenos — um ciclo que precisa ser interrompido.
SOMP e intenção de engravidar
Quando existe desejo reprodutivo, a abordagem muda. A Endocrine Society descreve a síndrome do ovário policístico como uma das causas mais comuns de infertilidade feminina, principalmente pela irregularidade da ovulação.
Nesses casos, a avaliação deve considerar fatores hormonais, metabólicos e ovulatórios, já que a resistência à insulina pode piorar o excesso de andrógenos e interferir no funcionamento dos ovários.
Quando mudanças de estilo de vida não são suficientes para restaurar a ovulação, medicamentos indutores de ovulação podem ser indicados. Nesses casos, as diretrizes internacionais de manejo da SOP indicam o letrozol como opção para indução da ovulação em mulheres com SOMP e infertilidade anovulatória.
Mulheres com síndrome do ovário policístico podem ter bons resultados reprodutivos quando recebem acompanhamento adequado. O planejamento individualizado permite identificar a estratégia mais adequada para cada fase da tentativa de gestação.
Nos casos em que outros recursos falham, a Fertilização In Vitro (FIV) pode ser indicada, exigindo monitoramento cuidadoso pelo risco de síndrome de hiperestimulação ovariana. Entender as diferentes possibilidades terapêuticas ajuda a construir um plano de cuidado compatível com suas necessidades.
SOMP na perimenopausa e menopausa
Um aspecto pouco conhecido da condição é que a SOMP persiste após a menopausa. O perfil androgênico e o risco metabólico podem permanecer elevados nessa fase da vida. Por isso, a síndrome do ovário policístico exige acompanhamento mesmo após o período reprodutivo.
Mulheres com SOMP têm maior risco de síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular após a menopausa. Esse risco é real, mas manejável com acompanhamento adequado. A Terapia Hormonal (TH) na menopausa pode ser indicada e deve ser customizada considerando o perfil androgênico prévio.
Por isso, o acompanhamento a longo prazo não é opcional, é parte do cuidado com a saúde hormonal ao longo de toda a vida. Conhecer os impactos da SOMP ao longo da vida permite adotar estratégias de acompanhamento mais adequadas para cada fase.
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Com atuação voltada à saúde hormonal feminina, a Dra. Astrid Boller (CRM-MG 23189 I RQE 10716) atende mulheres em diferentes fases da vida. Formada pela UFMG, tem mestrado em Obstetrícia e Ginecologia e formação complementar em Ultrassonografia e Nutrologia Clínica.
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Sua formação permite avaliar a SOMP de forma ampla, considerando aspectos hormonais, metabólicos e nutricionais. Atende presencialmente em Belo Horizonte e oferece um plano terapêutico construído para a sua realidade, não para um protocolo genérico.
Uma avaliação hormonal e metabólica pode ajudar a esclarecer sintomas da SOMP e orientar os cuidados mais adequados para o seu caso.
As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.
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Conteúdo atualizado em 2026.
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FAQ – Dúvidas Frequentes sobre SOMP, o novo nome da SOP: sintomas, diagnóstico e tratamento
1. Síndrome do ovário policístico: por que mudou o nome para SOMP?
O nome mudou porque não existem cistos reais. A SOMP reflete melhor os três eixos da condição: ovariano, metabólico e hormonal.
2. Diferença entre SOP e SOMP — ovário multifolicular são a mesma coisa?
SOP e SOMP descrevem a mesma condição. O padrão multifolicular do ovário no ultrassom mostra folículos, não cistos.
3. Toda mulher com SOMP tem resistência à insulina?
Não todas, mas 50 a 70% sim — inclusive com peso normal. Por isso, a relação entre SOP e metabolismo deve sempre ser investigada.
4. Posso engravidar tendo SOMP?
Sim. Com tratamento adequado da síndrome do ovário policístico, a ovulação pode ser restaurada e a gravidez é possível.
5. Quem trata SOMP, Ginecologista ou Endocrinologista?
O ginecologista com foco em saúde hormonal trata a SOMP. Em casos complexos, o acompanhamento conjunto com endocrinologista é indicado.
6. SOMP tem cura ou é uma condição crônica?
É uma condição crônica. A síndrome do ovário policístico metabólico não tem cura, mas os sintomas são controlados com tratamento.
7. Ovário policístico afeta mulheres na menopausa?
Sim. A SOMP persiste após a menopausa, mantendo o risco metabólico e cardiovascular elevado. Acompanhamento contínuo é essencial.
8. Quais são os exames para diagnosticar SOMP e síndrome ovariana?
Os principais são perfil androgênico, HOMA-IR, FSH, LH e ultrassom com avaliação do padrão multifolicular do ovário.
9. Anticoncepcional cura a SOMP ou só mascara os sintomas?
Somente mascara. Ele regula o ciclo, mas não trata a causa. A síndrome do ovário policístico exige abordagem metabólica e hormonal real.
10. Ovário policístico causa queda de cabelo e o que fazer?
Sim. O excesso de andrógenos causa afinamento capilar. O tratamento da SOMP e o ovário policístico e risco de diabetes devem ser investigados juntos.